© 2016 por Malê edições. Criado por Francisco Jorge

revista literária

Pesquisar: 

Resenhas

Paulina Chiziane canta liberdade

em novo livro

Ano 1, Número 1. Maio 2019

Por Dany Wambire

 

 

Em 122 páginas, a consagrada escritora moçambicana Paulina Chiziane decidiu compor uma canção para os ‘escravos’ deste século, apelando à sua liberdade. “O canto dos escravos”, é o título da canção, ou melhor, do livro, que será lançado neste mês em Maputo, capital de Moçambique.

O livro lembra a falta de liberdade a que estiveram votados muitos escravos africanos, sobretudo nos séculos XVII e XVIII, mas não é isso que se trata na obra, segundo a autora. “Não estou a falar do passado”, rematou.

Está a chamar atenção, prosseguiu a escritora, para a importância da preservação da liberdade para todos os indivíduos, tendo um olhar para a linha da nossa história. “A liberdade é uma coisa que temos hoje, mas se não soubermos cuidar dela podemos perder”, recordou a artista moçambicana, uma das mais aclamadas pelo público brasileiro.

“O canto dos escravos” é composto por sete livros, nomeadamente: testamento; canto de dor e desespero; canto de resistência; transcendência; canto de liberdade; à volta da fogueira e canto de esperança, temas a ser estudados por uma vítima da escravatura, processo histórico que, de acordo com a autora, pode reavivar a história de Moçambique “na memória de África e do Mundo”

 O livro está escrito em versos, mas a escritora adverte que “qualquer semelhança com a poesia é pura coincidência”, diluindo, deste modo, as fronteiras entre as expressões artísticas.  “Às vezes, nós colocamos fronteiras entre diferentes expressões artísticas. Para mim, isso não existe”, disse.

A arte, continuou a escritora, é a essência e a expressão da mesma arte é que faz um indivíduo se empacotar ou dizer que tem capacidade para escrever ou fazer outra coisa. A autora lembrou que o seu espírito artístico lhe faz expressar na forma de escrita, mas se for impedida, por alguma razão, de escrever, poderá eventualmente colocar o pensamento que estaria no papel literário na voz ou numa tela.

Para a escritora, insistiu, o mais importante é a liberdade. Como é importante para o negro, que “não se sente humano”, segundo a autora, por ter sido vulgarizado durante séculos. “A vida de um negro é uma busca de ser o outro, de deixar de ser ele mesmo”, desabafou para depois trazer provar o que disse:

“Estão aí nas farmácias pomadas para clarear a pele. E as mulheres vão atrás destas pomadas porque na sua concepção o escuro não é humano. O exemplo dos cabelos é o mais flagrante, as pessoas querem ter o cabelo do outro. O cabelo do negro tornou-se uma espécie de estigma” concluiu.

Esta mais recente obra de Paulina Chiziane também sairá no Brasil, sob o título “O canto dos escravizados”, sucedendo, deste modo, “As andorinhas” lançado também este ano.

Título: O Canto dos Escravizados

Autora: Paulina Chiziane

Editora: NANDYALA

Edição: 1

Ano: 2018

Idioma: PORTUGUÊS

ISBN: 8583580367

Páginas: 168