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revista literária

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Ano 1, Número 1. Maio 2019

Perfil

Fábio Kabral

Natural do Rio de Janeiro, Fábio Kabral atualmente reside em São Paulo. Ator formado pela Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), estudou Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Universidade de São Paulo (USP). Trabalhou como ator, dublador e analista de mídias sociais em agências de publicidade e relações públicas. Autor do livro "Ritos de Passagem" e da nova coleção Afrofuturismo, colabora e é co-fundador d’O Lado Negro da Força - site que destaca, valoriza e fomenta a presença negra na cultura pop. Leitor voraz de gibis e RPGs; candomblecista filho de Oxóssi, flamenguista, sagitariano e herói com rosto africano.  Lançou em 2017, pela editora Malê o livro O Caçador cibernético da Rua Treze.

Revista Mahin: O que você lia quando adolescente?

Fábio Kabral: Literatura brasileira - Machado de Assis, Clarice Lispector e outros - literatura fantástica - O Senhor dos Anéis, Harry Potter e outros - muitos livros de RPG e muito, muito gibi - X-Men, Homem Aranha e outros.

Revista Mahin: Quando você não está escrevendo o que costuma fazer?

Fábio Kabral: Namorada, amigos, candomblé, leituras, seriados, playstation 3.

Revista Mahin: Comente um livro que tenha sido marcante na sua vida?

Fábio Kabral:"O herói com rosto africano" (Clyde W. Ford) - mesmo hoje eu reconhecendo que o livro possui inúmeras limitações, foi o livro que me fez decidir me dedicar a escrever histórias fantásticas e lendárias inspiradas em cosmologias e espiritualidades africanas e com protagonistas de rosto africano.

Revista Mahin: Como se iniciou seu envolvimento com o Afrofuturismo?

Fábio Kabral: Acho que alguém me marcou nalgum post, aí fui atrás pra ver o que era, aí comecei eu mesmo a escrever "O Caçador Cibernético da Rua 13" na marra mesmo, resgatando todas as minhas influências enquanto "nerd" e candomblecista. O livro "Herói com rosto africano" foi crucial nesse sentido, bem como o "Afrocentricidade" da coleção Sankofa.

Revista Mahin:Quando você pensa escrever um livro o que prioriza, o perfil dos personagens ou a ação que quer narrar?

Fábio Kabral:O que priorizo é contar uma boa história. Utilizo todos os recursos à disposição no momento. Contar uma boa história e a maneira como essa história é escrita será sempre prioridade.

Revista Mahin: Cite um retorno interessante que você teve de algum leitor dos seus livros?

Fábio Kabral: No geral, estou achando muito legal muita gente falando que quando via a Wakanda dos cinemas se lembrava imediatamente da minha Ketu 3. Algumas pessoas perceberam também de imediato as influências de gibis e videogames no livro. Uma moça disse que o livro dá a entender que se passa num mundo "pós-branco", rs.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Revista Mahin: Como você vê o debate sobre o amor afrocentrado?

Fábio Kabral: Amor afrocentrado não é o mesmo que relacionamento entre duas pessoas pretas. Ser afrocentrado é uma outra coisa. Falando apenas de relacionamentos: não tenho nada pra falar além do que já falei em outras redes. Seria uma resposta longa demais, mexe com muitas emoções e feridas das pessoas, é crítica e ataques de todos os lados. Acho que cada um deve ser o exemplo daquilo que acha ser o certo. Estou com uma mulher preta candomblecista, que eu amo demais e com quem me casarei e terei filhos. É o que sempre quis, estou mais do que feliz. Que cada um faça o que quiser. Há muitas complexidades e afetividades envolvidas, nada é tão simples.


Revista Mahin:Como você entende a situação do homem negro no Brasil?  Existe muita cobrança?

Fábio Kabral:Ser um homem negro atualmente é um ataque de todos os lados. Se você é considerado "decente", empreendedor, intelectual e "bom caráter", então esperam que você salve o mundo e apoie todas as causas. Se você falha, então é imperdoável, é linchado.  Somos vítimas de uma masculinidade doentia que nunca nos pertenceu. Estamos solitários e doentes. "Pegar geral" não é privilégio, porque não é nada, não resolve nada. Nossos modelos ficcionais sempre envolvem malandragem, crime, bebida, drogas. O T'Challa do filme Pantera Negra é o primeiro homem preto que me apresenta uma masculinidade ideal, segura de si, sem esses estereótipos ruins. Estamos sem apoio e ferrados...
 

Revista Mahin: No seu próximo livro (A Cientista guerreira do facão furioso) a protagonista é uma mulher, como foi essa experiência?

Fábio Kabral: Foi tranquilo. Escrever um personagem é escrever um ser humano. Para escrever seres humanos, basta observar as pessoas e suas especificidades, e, principalmente, observar a si mesmo.

 

Revista Mahin: Acredita em uma ideia de lugar de fala para a literatura?

Fábio Kabral:Prefiro muito mais personagens pretos feitos por pessoas pretas, mas a verdade é que qualquer um teoricamente pode escrever sobre qualquer um, desde que tenha a responsabilidade de fazer com respeito e assuma eventuais erros cometidos.

Revista Mahin: Qual sua expectativa em relação ao lançamento do segundo volume da série afrofuturista?  Já tem planos para os próximos?

Fábio Kabral:Espero que o livro da Jamila alcance ainda mais sucesso que o do João Arolê, porque hoje há mais expectativa no protagonismo das minas pretas. Os planos para os próximos livros seguem firmes; espero encerrar o primeiro arco narrativo envolvendo Ketu 3 em mais três livros, e aí no sexto livro partir para as outras cidades, e depois para outros mundos, para o espaço. A pretensão é que seja uma coleção infinita contando um protagonista por vez e vários deles participando dos outros livros. Vários enredos e personagens fervilhando na mente, vão todos virar livro muito em breve. Ketu 3 e as demais cidades do Mundo Novo vão se expandir para além dos limites da imaginação...

Capa._Caçador_Cibernético_da_Rua_Treze.j

Título: O caçador cibernético da Rua Treze

Autora: Fábio Kabral

Assunto: Aventura; Ficção; Afrofuturismo.

ISBN: 978-85-92736-18-7

Idioma: Português

Formato: 14x21

Páginas: 208

Ano de edição: 2017

Edição: 1ª