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revista literária

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Ano 1, Número 1. Maio 2019

Lançamento

Do Índico e do Atlântico 

contos brasileiros e moçambicanos

Com o principal intuito de estreitar laços culturais entre o Brasil e Moçambique, sobretudo o literário, as editoras Malê e Fundza lançam a antologia Do Índico e do Atlântico com escritores e escritoras do Brasil e de Moçambique.

Com a aproximação do escritor moçambicano Dany Wambire com o Brasil e a publicação de suas obras em suas passagens pelo nosso país, ficou clara a nossa falta de conhecimento sobre a literatura contemporânea produzida em seu país, assim como também acontece em Moçambique com a falta de conhecimento de escritores brasileiros contemporâneos.

Fazendo então surgir a ideia de apresentar os escritores brasileiros para os leitores de Moçambique através da publicação da antologia pela editora Fundza, bem como a publicação de escritores moçambicanos, apresentando-os para um público leitor através da edição da editora Malê.

Os contos demonstram uma variedade de gêneros e narrativas e mantendo as variantes da lingua portuguesa falada no Brasil e em Moçambique para uma maior inserção à literatura produzida em cada país.

O escritor Dany Wambire, responsável pela seleção dos escritores moçambicanos, trouxe uma seleção com uma diversidade literária instigante, em contos que apresentam grande domínio técnico narrativo e estilos bem definidos de cada escritor. E o editor Vagner Amaro, responsável pela organização da antologia e seleção dos escritores brasileiros, nos apresenta escritoras e escritores sensíveis e hábeis, que por temáticas, estilos e apuro técnico, contribuem em textos ficcionais, com muito do que há de mais interessante na nossa literatura atual.

Além dos contos publicados na antologia, no início do livro há um breve estudo escrito por Vagner Amaro que nos apresenta de forma abreviada um pouco da produção literária contemporânea em Moçambique e no Brasil para que possamos compreender melhor a proposta inicial da coletânea e estreitar ainda mais os laços entre os dois países e suas literaturas.

 

Apresentamos aqui os autores que compõem Do Índico e do Atlântico, bem como seus contos pela ordem que se apresentam no livro:

 

 

Do Índico:

 

 

Mia Couto (1955). Escritor, professor, jornalista e biólogo. Estreou na literatura com um livro de poesia, Raíz de Orvalho, publicado em 1983 e no conto, com o livro Vozes Anoitecidas, em 1986. Recebeu diversos prêmios, entre eles o Prêmio Camões, em 2013. No conto “Rosalinda, a nenhuma”, o autor narra de forma metafórica uma história de amor póstumo, mas também de busca pela identidade.

 

Diogo Araújo Vaz (1978). Escritor e gestor. Estreou na literatura com Contos de Guicalengo (2010) – Prêmio Minerva Central 100 anos e Maria Odete de Jesus. Em “Apocalipse”, o autor narra a atuação do homem no mundo, o antropocentrismo e a necessidade de se buscar um sentido, uma invenção para explicar as desmedidas humanas em relação à natureza.

 

Carlos dos Santos (1962). Escritor e professor, formado em Psicologia e Pedagogia. Estreou com o romance de ficção científica A quinta dimensão (2006). No conto “O ilusionista”, Carlos dos Santos apresenta uma experiência com o fantástico quando uma menina vai até o galinheiro buscar ovos para a mãe.

 

Lília Momplé (1935). Escritora e professora. Entre 995 e 2001, exerceu a função de secretária-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos. Estreou com o livro Ninguém matou Suhurra (contos, 1988); na sua obra também se destacam Neighbours (romance, 1996) e Os olhos da cobra verde (contos, 1997). Em “Stress”, um professor comete um crime quando é interrompido de assistir a televisão; uma vizinha testemunha o assassinato.

 

Daniel da Corta (1966). Escritor, professor, jornalista e diplomata. Estreou em 2003 com uma coletânea de crônicas, Xingondo. Em “A flauta do Oriente”, o velho Saguate consegue domar a sua dor com o recurso de uma flauta importada da Índia.

 

Dany Wambire (1989). Escritor e professor. Estreou em 2013, com o livro A adubada fecundidade e outros contos. É diretor da revista Soletras – a sopradora de letras. Em “A mulher sobressalente”, Dany apresenta a tensão entre tradição e contemporaneidade, quando uma mulher precisa retornar para sua aldeia, obedecendo às ordens de seu pai.

 

Alex Dau (1972). Estreou em 2014, com a obra Reclusos no tempo. Em “Menina Teresinha”, Alex Dau apresenta a história de uma menina de quinze anos e seus pequenos desafios para cuidar do pai que tanto ama.

 

 

Do Atlântico:

 

 

Eliana Alves Cruz (1966). Escritora e jornalista pós-graduada em Comunicação Empresarial. Foi vencedora do concurso de romances da Fundação Cultural Palmares/MINC em 2015, com o romance Água de Barrela. Em 2018, publicou pela editora Malê o romance O crime do Cais do Valongo. Em “Noite sem lua”, Eliana apresenta as angústias de Marilene diante de uma sociedade que discrimina a sua cor.

 

 Cristiane Sobral (1974). Escritora, dramaturga e atriz. Estreou na literatura em 2010, com o livro de poemas Não vou mais lavar os pratos. No conto “223784”, a escritora narra uma relação de afeto e cumplicidade entre pai e filha. A relação é afetada pelo relacionamento amoroso inter-racial da filha.

 

Rafael Gallo (1981). Escritor, autor do romance Rebentar (2015), livro vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura e de Réveillon e outros dias (2012), livro vencedor do Prêmio Sesc de Literatura. Em “Corte”, Rafael Gallo conta a história da relação de uma avó com a sua neta afrodescendente.

 

Miguel Sanches Neto (1965). É escritor, professor universitário e crítico literário. Estreou com o romance Chove sobre minha infância (2000). Em “Sabor”, o escritor narra as experiências de três meninos quando testemunham duas cenas de morte.

 

Marcelo Moutinho (1972). É escritor e jornalista. Estreou com o livro de contos Memória dos barcos (2001). Oxê é um machado de dois gumes, no candomblé é chamado de machado de Xangô. O conto “Oxê” de Marcelo Moutinho se passa na histórica derrota do Brasil para a Alemanha na Copa do Mundo de 2014, sob a perspectiva de um segurança apaixonado.

 

João Anzanello Carrascoza (1962). É escritor e professor universitário. Estreou com o livro Hotel Solidão (1994). No conto “Dias Raros”, Carrascoza narra a visita de um menino à sua avó e as descobertas que surgem da relação de afeto que se instaura entre eles.

 

Conceição Evaristo (1946). É escritora e professora. Estreou com o romance Ponciá Vicêncio (2003). No conto “Os pés do dançarino”, Conceição Evaristo apresenta a história de Davenir, exímio dançarino, e a necessidade de um reencontro com sua ancestralidade.

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Serviço:

Título: Do ​​Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos

Organização: Vagner Amaro

Autores: Conceição Evaristo, Marcelo Moutinho, João Anzanello Carrascoza, Rafael Galo, Eliana Alves Cruz, Cristiane Sobral e Miguel Sanches Neto; Mia Couto, Lilia Momplé, Alex Dau, Diogo Araújo Vaz, Dany Wambire, Carlos dos Santos e Daniel da Costa.

Assunto: Literatura brasileira - contos; Literatura moçambicana - contos.

Páginas: 139

ISBN: 978-859-2736-38-5

Editora: Malê